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12 de outubro de 2010

CONSTITUIR PRAXE PARA O FUTURO


A iniciativa de praxe dos alunos da ESTIG Beja de aproveitar o espírito de recepção académica aos novos alunos para promover acções de benefício para a comunidade e para as instituições é um exemplo merecedor de reconhecimento e de estímulo.

Julgo saber
quem esteve por detrás desta iniciativa, que felicito, mas a disponibilidade da comissão de praxes e dos alunos em participar em acções deste género são um exemplo de altruísmo e de utilidade de uma prática, até aqui, negativamente conotada com abusos, humilhações e desperdícios.

Nos tempos que correm a necessidade de fazermos mais pelos outros aumenta e uma nova consciencialização dos valores da solidariedade e das acções comunitárias pro bono deve emergir como condição de protecção das nossas próprias identidades cultural e social.

O que estes jovens alunos nos demonstram está para além dos gestos e das palavras: são uma nova força de vontades e de esperança que deveriam fazer-se acompanhar de instituições públicas e empresariais, de cidadãos anónimos disponíveis para o voluntariado, de gente abastada.

Decidir é fácil, o mais difícil é decidir bem, partilhando as visões comuns e os interesses da sociedade. E esta necessidade de decidir em prol dos mais desfavorecidos e desprotegidos, ou daqueles que prestam um serviço público abnegado, é também um imperativo nacional, uma responsabilidade de todos nós.

Enquanto o Estado, que também somos todos nós, não olha com maior sensibilidade para estes exemplos valem-nos as praxes e os homens do futuro, como fios de esperança…

31 de março de 2009

Falsas orientações

Imagem: daqui


A polémica em torno do uso do preservativo é, desculpem a frontalidade, uma falsa questão! Com o respeito que a instituição igreja merece e apesar dos constrangimentos doutrinários é abusivo atribuir à igreja a influência junto do povo e sobretudo dos seus acólitos. Isto porque as transformações que a sociedade tem promovido ao longo do último século têm tido maiores avanços e aceitação social que as emanações do Vaticano.

Vejamos os casos dos homossexuais, do divórcio e da interrupção voluntária da gravidez. Em nenhuma destas situações se deixaram de cumprir a vontade das pessoas, ainda que em muitos casos existam católicos que defenderam e defendem a sua condição individual e de consciência. Uma coisa não impede a outra e a igreja sabe-o. Mas insiste porquê? Porque outra coisa não pode fazer sob pena de fazer ruir o conservadorismo que a caracteriza e alimenta, como diferença.

No mundo ocidental e civilizado não entendo que o uso do preservativo seja inibição para quem quer que seja. Pode ser a inconsciência e a ignorância, ou até o excesso de confiança. Mas nunca a orientação de um Papa ou de um Bispo. E neste mundo ocidental e civilizado a oportunidade de discutir o uso do preservativo é constante e deve ser feita no plano da educação sexual das crianças e na prevenção das doenças sexualmente transmitidas. Porque os estados democráticos, laicos, são por si só o garante de uma orientação livre e de protecção da saúde pública.

A posição da igreja sobre esta matéria, tal como outros assuntos de liberdade de consciência é o maior contributo para o afastamento e o questionamento dos cidadãos sobre a sua existência e validade na vida de cada um. Já no caso dos países subdesenvolvidos o caso piora, mas não por inconveniente orientação da igreja, mas por manifesto relaxe da comunidade internacional, cuja insensibilidade e parcos apoios dificulta o combate às doenças fatais que têm assolado a humanidade. E esta é uma questão, também, de consciência que nos deve fazer reflectir e agir.




24 de março de 2009

OS PAIS DELES

Mas a grande alteração na sociedade educativa e que condicionou e modificou a participação dos alunos na sua vida adolescente não é da sua responsabilidade directa: hoje os pais – através das associações de pais e confederações – substituiram os filhos, os alunos, na defesa dos seus direitos e até no eventual erro da sua actividade contestatária (essencial para se formarem como cidadãos). O que os pais estão a fazer é mais que substituírem os filhos: é serem proteccionistas dos mesmos, anulando-lhes a necessidade de formarem reflexões e tornando-se os pais, novamente, os agentes de um sistema de ensino que já não lhes pertence. E tão curioso ou irónico é o facto de serem estes pais os baluartes de uma geração contestatária que encheu ruas e fechou escolas, que enfrentou ministros e obrigou à rectificação de políticas e que são hoje os mais conservadores cidadãos e em muitos casos a anulação do valor dos próprios filhos.


Leia na íntegra em: Código Luso

11 de março de 2009

Praxes...



Num passeio suave pelo centro da cidade, enquanto sol nos delicia o espírito, assisti a uma cerimónia de praxe que alguns caloiros e outros veteranos promoviam com gritos e disparates, para que a humilhação seja mais vincada. E quanto mais triste a figura maior o entusiasmo e a euforia perante o olhar pasmado dos traseuntes anónimos. E nestas coisas o ridiculo toma conta de uma geração em formação superior, como se isso fosse condição para a sua classificação e vocação profissional.


Pessoalmente considero a praxe um desperdicio de energias, uma extemporância afirmação de adolescência, e nada, mesmo nada, tem a ver com o espirito académico. Sou contra, mas tolero e passo ao lado. Sou tolerante, mas não posso deixar de avaliar uma atitude humilhante.


E o que me parece ainda mais grave é o facto dos veteranos, que passaram por aquilo, serem os maiores gozadores do momento, os agitadores de uma pretensa superioridade que ao que parece lhes é conferida pelos anos de curso.


Muitas vezes se questionam os resultados pedagogicos, o conhecimento adquirido numa formação superior. não me parece que os indices sejam desculpáveis com as praxes, mas que estas espelham uma sociedade académica provinciana...

4 de março de 2009

Dinâmicas de relevo

Foto: Aqui


Já aqui tenho abordado em diferentes perspectivas a importância e a necessidade de existirem contributos e dinâmicas da sociedade civil no que respeita às visões futuras para o desenvolvimento regional. E numa dessas abordagens referi o caso do Instituto Politécnico de Beja, defendendo que o mesmo se deve afirmar como poder regional, constituindo uma mais valia complementar e de influência, sobretudo nas práticas inovadoras e académicas, essenciais para o nosso desenvolvimento.

A ESTIG de Beja – numa acção de grande mérito – promove um ciclo de quatro mesas redondas em áreas de interesse para o desenvolvimento da actividade turística. Esta iniciativa sentará à mesa e em torno de um tema vital para o desenvolvimento económico e social a Turismo do Alentejo – ERT e um conjunto de câmaras municipais cuja importância estratégica é decisiva para o impulsionamento de novas e eficientes políticas de turismo.

O que a ESTIG está a fazer é trazer à discussão a necessidade de gerar consensos e de trocar experiências entre as partes, garantindo uma maior eficácia nas medidas e nas potencialidades do sector na região. Esta iniciativa é ainda um contributo válido e de grande sentido de responsabilidade e de formação de uma massa critica valiosa e com peso, de que a região carece.

Mas o que a iniciativa merece e a região precisa é de um entendimento suprapartidário de defesa global dos interesses do sector e das populações. E se essa for a predisposição dos intervenientes então podemos considerá-la de sucesso e exortar a sua continuidade, bem como a sua abrangência a outros sectores da sociedade económica regional.


10 de fevereiro de 2009

O valor indespensável do conhecimento e do reconhecimento



O semanário Correio Alentejo traz-nos à memória semanalmente os ilustres baixo-alentejanos: figuras da política, da cultura, da economia, da medicina, da sociedade em geral que ao longo de centenas de anos fizeram parte desta região e que afirmaram um lugar próprio e merecido na história de Portugal. Acompanho todas as semanas com interesse a pequena nota que me conduz à identificação cultural e histórica, mas também à memória, da minha região.

E tenho pensado nisso, e discutido com amigos ao longo dos tempos a questão sobre a desvalorização das figuras históricas da nossa região. Mais sério é o facto de não as promovermos dignamente, com o mérito que têm e o contributo que os seus nomes podem dar ao nosso enriquecimento cultural. Falo-vos de Mariana Alcoforado, a suposta autora de um dos mais célebres e lidos conjuntos de cartas de amor em todo o mundo, que ainda hoje mobiliza académicos e historiadores na complexa tarefa de as decifrar e compreender. Refiro-me a um passado monárquico relevante com os duques de Beja e a rainha D. Leonor, cuja dinastia foi das mais vincadas na história de Portugal. Falo de poetas como Mário Beirão – um dos mais notáveis poetas portugueses da primeira metade do século passado, ou Raul de Carvalho, uma referência extraordinária da literatura portuguesa. Falo-vos de médicos pioneiros, de políticos da primeira república, de lutadores antifascistas, de ministros do reino, de lavradores célebres, de fundadores de movimentos e correntes intelectuais, de gente cujo legado de conhecimento e de valor não sabemos aproveitar. Falo-vos do mais valioso e insubstituível património: as pessoas, cidadãos de uma comunidade e fazedores de uma identidade cultural.

E não será necessária grande reflexão para se entender a importância de se ilustrarem estes nomes num plano de desenvolvimento cultural regional. Muitos desconhecem, aqui e no resto do país, as suas origens, o que fizeram por cá. O que os condicionou na sua natureza de baixo-alentejanos. E continuaremos, provavelmente, num futuro ainda mais ignorante a desvalorizar o nosso passado. Seremos por mais uns tempos incapazes de fazer o que os outros fazem com os seus artistas e intelectuais, com os seus distintos elementos da sociedade histórica. Ora por insensibilidade de quem nos governa, ora por conveniente interesse de nos fazer incultos mas felizes.

8 de janeiro de 2009

Instituto Politécnico de Beja: O Poder que falta!

O processo eleitoral no Instituto Politécnico de Beja (IPB) deverá marcar o início de um novo ciclo. O período que agora termina fica assinalado por uma presidência dinâmica e visionária, que soube intervir e assegurar com acções e com obras para que o futuro do IPB seja uma realidade. José Luís Ramalho, presidente cessante, lidou com a complexidade dos processos de financiamento das obras de construção e de melhoria dos equipamentos – garantindo assim melhores condições para alunos e docentes – e foi confrontado pela difícil situação da diminuição de alunos registada em todo o universo do ensino superior, incluindo o de Beja. O ainda Presidente deixa um legado de obra e de potencial crescimento da instituição. E este legado, que acredito vir a ter os melhores defensores, beneficia a cidade de Beja e a Região do Baixo Alentejo.

Um dos aspectos inovadores no novo ciclo, exemplo entusiástico de uma maturidade institucional, é a inclusão nos seus órgãos de personalidades representativas da sociedade civil. Este dado é mais que relevante: é indicador de um caminho participado e agitador da responsabilidade dos cidadãos na vida do IPB.

Até aqui tem sido débil a participação dos agentes políticos e das instituições públicas na valorização do IPB, e isso tem contribuído para um demorado surgimento desta instituição como poder regional. Defendo que o grande desafio do IPB deverá ser o de se afirmar como poder regional de influências e de intervenção. Há muito por fazer na área da investigação, das ciências sociais e da agricultura, existem a partir do aeroporto de Beja novas oportunidades às quais a capacidade crítica e académica do IPB não deve ser indiferente, ou estrategicamente afastada. A exemplo de outros pólos universitários, em Portugal e no estrangeiro, é possível construir, a partir da dinamização do ensino superior, um dos pilares para o desenvolvimento.

Não me parece correcta a opinião de quem espera que o IPB deva formar quadros para o desenvolvimento regional, exclusivamente. Defendo sim que a sua função pedagógica deve estar inserida no contexto das potencialidades regionais, mas aberta às necessidades nacionais e europeias. Os modelos globais de formação não podem ter uma visão paroquial. Devemos ter a noção que o global se constrói a partir do local, e isso não é necessariamente razão para sobrepor o local ao global. A qualidade do ensino do IPB nas diferentes áreas é a grande marca que se deve edificar. A sua credibilidade nacional e internacional em conjunto com os instrumentos promotores da região no teatro europeu será decisiva para que o IPB sirva de alavanca para o desenvolvimento.