O anúncio de Moção de Censura ao governo pelo Bloco de Esquerda não é mais que uma das muitas jogadas de mediatização de Francisco Louçã e do BE que não aceitam perder terreno face ao PCP. E ainda uma irresponsável atitude política que periga a frágil situação de credibilidade externa do país. Para além disso o BE contribui para um descrédito da classe política afastando-a cada vez mais dos cidadãos. A oportunidade é, tal como disse do PCP, um desacerto e coloca, apesar do BE ter criticado os comunistas, os interesses partidários acima dos nacionais. Mas é novidade que assim seja? Não. O BE revela aos poucos aquilo que sempre quis ser e que foi disfarçando: um partido com lógicas de poder e de satisfação dos egos e das frustações de muitos dos seus dirigentes. Não traz nada de novo actualmente, rendeu-se à necessidade de acompanhar a agenda política e não de a romper como inicialmente fazia.
No entanto Francisco Loução vai mais longe no descrédito e no absurdo: anunciou hoje que a Moção de Censura é igualmente contra o PSD. Ora, se para aprovar a moção precisa dos votos do PSD e se hostiliza os sociais democratas então o BE não quer uma Moção de Censura para derrubar o governo. Nem quer o contrário, querendo ambas as situações, talvez. Não se entende! Afinal o que pretende o Bloco de Esquerda que não seja ocupar o centro das conversas? Que valor acrescenta este partido de "ruptura com o sistema", critico e efusivo, "essa lufada de ar fresco na vida política portuguesa"? Afinal qual é a diferença do BE relativamente aos outros? E em que campo se situa, para além da tribuna dos pulpitos?

